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Yeferson Soteldo

Santos, 2019-Presente

O Perfil:

Yeferson Soteldo assumiu a mítica camisa 10 do Santos, eternamente vinculada ao rei do futebol. “Joga de ponta, joga de centroavante, joga de ponta esquerda, ponta direita… É um jogador que está sendo útil para o Santos ”, destacou Pelé, em entrevista à TV Globo. Inspirado pelo estilo de jogo de Lionel Messi, como confessou em mais de uma oportunidade, o jogador venezuelano atingiu seu ápice no Peixe. Suas atuações na edição 2020 da Copa Libertadores, sobretudo nas semifinais contra o Boca Juniors, lhe permitiram figurar na seleção dos melhores da competição.

“Conheço bem o Soteldo porque jogou em minha querida Universidad de Chile. Pode ser um jogador surpresa com suas chegadas de trás, como também pode atuar nas três posições de ataque, tanto na direita, quanto na esquerda ou centralizado. É um atleta que necessita de muita liberdade para poder produzir e desequilibrar”, afirmou Jorge Sampaoli, técnico responsável por levá-lo ao Santos, em 2019.

Análise tática:

Soteldo é um ponta esquerda que possui uma boa visão de jogo, o que lhe permite alternar jogadas abertas – pelas laterais – ou centralizadas. Mobilidade que faz com que tenha uma participação constante em ambas as fases do jogo, fruto de muita aplicação física em campo.

Jogador altamente criativo com a bola nos pés,  Soteldo é destro, mas tem bom controle de bola com as duas pernas. Uma de suas principais qualidades é o desequilíbrio que causa nos adversários em situações de um contra um no ataque. É inteligente para tomar decisões, priorizando sempre o futebol vertical, além de ser incisivo com a bola, quando necessário. Sem a bola, tem uma boa interpretação sobre as zonas livres onde pode receber o passe com suficiente tempo e espaço (abaixo) para executar corretamente a ação seguinte.

Quando aparece na zona de finalização, se mostra um jogador determinante, particularmente pelo lado esquerdo do ataque. Nessas situações, é comum que leve perigo ao gol adversário, seja buscando jogadas de linha de fundo ou driblando para dentro, aumentando o ângulo para o chute. Quando um companheiro avança pela ponta direita e está em posição para fazer o cruzamento, Soteldo normalmente se posiciona perto da marca de pênalti. Fica à espera de um eventual cruzamento rasteiro, já que sua estatura não permite que leve vantagem nas disputas aéreas.

Em fase defensiva, mostra-se igualmente intenso na marcação e costuma roubar bolas em zonas que geram contra-ataques e possibilidades de finalizações. Também é disciplinado quando precisa cumprir funções específicas para furar defesas que marcam com blocos baixos ou que jogam mais adiantadas. Além de ter energia para acelerar o ritmo e buscar os espaços nas costas dos defensores nas transições ofensivas (abaixo). Soma-se a tudo isso, um bom pé para as bolas paradas no ataque, enquanto nas mesmas jogadas defensivas, posiciona-se na zona de rebote, perto da meia-lua, para dar início a um eventual contra-ataque.

Papel no Santos:

Tendo em conta que o Santos vinha sendo, sob os comandos de Cuca, uma equipe que adaptava seu desenho tático de acordo com o rival da vez, com o objetivo de superá-lo numericamente nas diferentes linhas, Soteldo também se adapta a diferentes posições em campo. Quando o esquema é o 4-2-3-1, desempenha a função de ponta esquerda, mas também pode aparecer centralizado, atrás do centroavante. No caso do treinador optar pelo 4-3-3, o venezuelano normalmente joga aberto pela esquerda, gerando amplitude e opção de desafogo ao time.

Na fase ofensiva, costuma alternar jogadas pelo meio, nas quais ‘libera’ o corredor esquerdo para o lateral Felipe Jonatan, com deslocamentos verticais, invertendo funções com o companheiro de equipe (abaixo). Nessas situações de jogo, está sempre em busca de espaço entre as linhas de marcação rival, para ferir o adversário de uma ou outra forma.

Soteldo parece estar sempre à espera de uma chance para acelerar o jogo, assim que a segunda linha defensiva do adversário se rompa. Por vezes, também cumpre o papel de homem de criação, aparecendo pelo meio e buscando opções de passe entre as linhas adversárias. Passes que costumam ter precisão, sejam eles centralizados, nas costas dos meio-campistas rivais, ou pelas pontas.

Além do mais, Soteldo também costuma ser a primeira alternativa nas progressões ofensivas do time. Ou seja, a bola tende a passar por ele quando a equipe tenta aproveitar situações de superioridade posicional. Esporadicamente, o atleta santista comete erros de passe ou é desarmado, mas é interessante analisar que na maioria desses casos o erro acontece em tentativas de verticalizar o jogo do Santos.

Outra arma do sul-americano é a capacidade de leitura do posicionamento de companheiros e adversários, somada ao bom ‘tempo de bola’. Assim, consegue esperar o momento exato para decidir se dá o passe ao lateral, que teve tempo de surgir como opção, ou aproveitar a superioridade criada pela presença do companheiro para cruzar ou chutar a gol.

Na saída de bola da defesa ao ataque, não costuma cumprir um papel ativo. Sua função é sustentar a profundidade do time, alargando a defesa rival para gerar espaço. Função que divide com o centroavante Kaio Jorge e com o homem mais aberto pela direita, Marinho.

Dentro do que se propõe o time defensivamente, Soteldo mostra-se predisposto a cumprir o papel tático pedido pelo treinador, baseado em duelos em toda a extensão do campo. Aqui, sua função é duelar com o lateral-direito rival. Porém, quando identifica que a situação permite, abandona o homem com quem deveria duelar, para pressionar agressivamente os jogadores por perto, como fez, por exemplo, no segundo gol do Santos na semifinal da Copa Libertadores (acima).

Decide pressionar o zagueiro com a bola, tentando fechar sua linha de passe para o lateral que acabou por deixar desmarcado, ação que acaba gerando a roubada de bola na origem do gol. Decisões como esta costumam gerar oportunidades aproveitadas pelo próprio venezuelano, como no jogo citado diante do Boca. Com o desequilíbrio da defesa rival, Soteldo acaba tendo chances de um contra um, sua especialidade. Por tudo isso, é um jogador chave nas transições ofensivas: tem velocidade com e sem bola, sabe e gosta de driblar e finalizar. Se o adversário encontra-se desarrumado defensivamente, então, aí é um prato cheio.

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