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Sistemas de jogo: 4-2-3-1

Sistemas de jogo: 4-2-3-1
Redacción
The Coaches' Voice
Publicado el
14 de octubre 2022
Desenvolvido por

O que é um 4-2-3-1?

A formação 4-2-3-1 funciona com quatro linhas. A linha defensiva é formada por quatro jogadores: dois zagueiros e dois laterais. À frente da defesa, atuam dois meio-campistas centrais - geralmente um deles com características mais defensivas e o outro com perfil mais de organizador de jogo -, aos quais se costuma definir como 'dupla de volantes'. Mais à frente, vem um trio de meio-campistas de caráter ofensivo, que joga atrás de um único atacante.

Qual é a origem do 4-2-3-1?

Como muitas equipes utilizavam um atacante mais recuado num desenho 4-4-2 no fim da década de 1990, o 4-2-3-1 acabou sendo introduzido na década de 2000 para impedir o acesso aos espaços centrais entre as linhas.

No princípio, tratava-se de jogar com um único volante que cobrisse esses espaços - Claude Makélélé  foi o exemplo mais notável no Celta de Vigo, Real Madrid ou Chelsea-, antes de se acrescentar um segundo meio-campista à frente da primeira linha.

Esta formação ficou mais popular quando a pressão sobre o rival passou a ser uma parte mais importante do jogo moderno. A dupla de volantes cobre o espaço à frente dos quatro defensores, além de apoiar a pressão de sua equipe, por detrás do atacante e dos três meio-campistas ofensivos.

Um dos primeiros treinadores a promover a troca do 4-4-2 para o 4-2-3-1 na Espanha foi Juanma Lillo. O ex-auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City acrescentou ainda a pressão alta dentro desta formação.

Quais são as responsabilidades dos jogadores em fase ofensiva num 4-2-3-1?

O atacante é apoiado pelo meia para proporcionar a principal ameaça ofensiva da equipe na zona central. Também é comum que os meio-campistas ofensivos realizem incursões por dentro, frequentemente jogando com o pé trocado para proporcionar uma ameaça mais direta à meta rival. O atacante e o meia também costumam inverter suas posições para tirar os defensores de posição e habilitar espaços nas zonas centrais para que os extremos possam atacar às costas da defesa adversária.

A dupla de volantes apoia atrás da linha de passe e é livre para ir aos lados para ajudar a equipe a efetuar inversões de jogo. Durante as transições, um dos volantes pode se adiantar para proporcionar uma ameaça adicional nos contra-ataques. No entanto, na maior parte do tempo eles permanecem centralizados e em comunicação com os zagueiros. Esses dois jogadores são o elo entre a zaga e o grupo de quatro atacantes.

Uma vez que muitos meio-campistas trabalham por dentro, os laterais podem se deslocar para oferecer amplitude no ataque (acima). Desde as pontas, os laterais podem efetuar cruzamentos e passes para dentro, além de oferecerem uma opção para eventuais inversões de jogo. A dupla de volantes, por sua vez, proporciona segurança atrás da linha da bola, permitindo que os laterais avancem simultaneamente.

Os zagueiros são responsáveis por tirar a bola da defesa, conectando a equipe com o meio-campo ou até diretamente com a linha de ataque. Eles raramente irão conduzir a bola até o meio, já que a equipe conta com uma dupla de volantes à frente deles.

Quais são as responsabilidades dos jogadores em fase defensiva num 4-2-3-1?

A linha de quatro defensores se manterá como um bloco compacto. Os laterais permanecerão na linha e irão marcar os jogadores de lado do rival em situações de um contra um. Os zagueiros marcam os atacantes adversários. A dupla de volantes se posiciona à frente dos zagueiros, cobrindo os espaços entre as linhas.

Os volantes também oferecem apoio por trás numa pressão mais alta, buscando o equilíbrio entre os dois lados do campo para cobrir os espaços entre os três meio-campistas ofensivos. Um dos volantes pode subir para pressionar junto ao meia ou outro dos meio-campistas mais avançados, assim como pode se deslocar para apoiar um lateral.

Os três meio-campistas ofensivos e o atacante ficarão próximos dos espaços centrais quando estiverem em um bloco médio ou baixo.

O atacante costuma instigar uma pressão alta. Isso enquanto o meia avança para se somar à pressão na mesma altura ou de forma escalonada para marcar o volante adversário. Assim, um 4-2-3-1 em posse de bola pode se tornar um 4-4-2 ou 4-4-1-1 na fase defensiva

Em qualquer desses dois último desenhos, o extremo do lado oposto dará o equilíbrio à zona central, ao somar-se como uma nova peça no centro do campo. Isso pode ser em um bloco médio, em um bloco baixo ou até numa pressão alta.

Quais treinadores e equipes utilizaram um 4-2-3-1?

Mauricio Pochettino no Tottenham Hotspur

No 4-2-3-1 de Mauricio Pochettino, Harry Kane contava com o apoio de Dele Alli como um meia incisivo, que frequentemente corria para além do centroavante. Son Heung-min também fornecia movimentos em profundidade, mas o fazia com mais frequência depois das transições. 

Christian Eriksen jogava como meia ou, às vezes, deslocado à ponta, apesar de se mover em direção ao centro para ajudar a dupla de volantes a superar o meio-campo rival.

Kyle Walker e Danny Rose proporcionavam uma ameaça ofensiva nas laterais, posicionando-se para dar amplitude à equipe no ataque (abaixo). Enquanto isso, a versátil dupla de volantes, formada por Eric Dier e Mousa Dembélé, oferecia proteção à frente dos zagueiros Toby Alderweireld e Jan Vertonghen.

Hansi Flick no Bayern de Munique

O 4-2-3-1 de Hansi Flick (abaixo) foi especialmente eficaz na bem-sucedida campanha do Bayern de Munique na Liga dos Campeões 2019/20. Os alemães eliminaram o Chelsea com um placar agregado de 7-1, além de terem aplicado goleadas históricas pra cima do Barcelona (8 a 2) e do Tottenham (7 a 2).

O atacante Robert Lewandowski contava com o apoio de Thomas Müller, que se movimentava muito, oferecendo frequentemente corridas à frente do próprio centroavante, tornando-se uma presença adicional na área, além de trocar de posição com os jogadores de lado, Kingsley Coman, Ivan Perisic e Serge Gnabry, que incursionavam por dentro em direção ao gol.

Thiago Alcântara controlava o ritmo dos passes da equipe desde sua posição entre a defesa e o meio-campo. Seu parceiro no setor variava entre Leon Goretzka, encarregado de fazer corridas de penetração em torno de Müller, e Joshua Kimmich, jogador que acrescentava maior presença defensiva na dupla de volantes. Isso permitia com que os laterais, Benjamin Pavard e Alphonso Davies, atacassem simultaneamente.

Pep Guardiola no Manchester City

Na temporada 2020/21, Guardiola utilizou um 4-2-3-1 com mais frequência que em qualquer de suas temporadas anteriores no Manchester City. Uma dupla de volantes formada por Rodri e Ilkay Gündogan ou Fernandinho cobria o espaço à frente da zaga (abaixo), A linha de defesa se convertia frequentemente numa linha de três, já que João Cancelo se deslocava à frente desde sua posição inicial como lateral-esquerdo. Muitas vezes, o City atacava sem ter um centroavante tradicional.

Se Guardiola optava por jogar sem um ‘9’, Gabriel Jesus ou Sergio Agüero, utilizava em seu lugar um meio-campista ou um extremo - Raheem Sterling, Riyad Mahrez, Phil Foden, Bernardo Silva ou Ferran Torres - como 'falso nove’. A troca de posições permitia a Gündogan pressionar além da  linha dos volantes, muitas vezes com Cancelo se juntando a Rodri no meio-campo para manter a linha de dois. Gündogan, então, ocupava os espaços nos corredores interiores, criados pelo posicionamento alto e aberto dos pontas / extremos. 

Gareth Southgate com a Inglaterra

Gareth Southgate tem quase sempre optado por uma dupla de volantes na seleção inglesa. Utilizou um 4-2-3-1 tanto na Eurocopa de 2020 (abaixo) como nas Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2022. Kalvin Phillips e Declan Rice formavam a dupla de volantes sempre que disponíveis. Ambos demonstraram uma habilidade excepcional para ligar a linha defensiva com os três meio-campistas ofensivos e o centroavante, Harry Kane, que muitas vezes se deslocava ao meio-campo.

Os três meio-campistas ofensivos da Inglaterra trocam de posições constantemente, realizando corridas em profundidade às costas da defesa rival e ocupando posições similares às de Kane.

Mason Mount, Jack Grealish, Jadon Sancho e Phil Foden oferecem uma impressionante capacidade de combinação em espaços reduzidos. Marcus Rashford e Raheem Sterling realizam mais corridas de penetração, agredindo a linha de defesa rival.

Quais são as vantagens de jogar com um 4-2-3-1?

No 4-2-3-1, a presença de três jogadores no centro do meio-campo pode significar uma superioridade numérica no setor. O meia oferece uma presença entre as linhas, podendo receber a bola nesse espaço ao enfrentar um meio-campo rival com seus jogadores posicionados numa mesma altura.

A dupla de volantes fornece uma base sólida no meio-campo, permitindo a troca de posições pelos lados e oferecendo cobertura se um ou ambos laterais avançarem. Também protegem os espaços centrais na defesa e dão mais segurança às transições defensivas.

O 4-2-3-1 proporciona uma boa presença defensiva escalonada quando se trata de um bloco médio ou baixo, dificultando a penetração, especialmente nas zonas centrais. Um 4-2-3-1 também oferece muitas linhas de passe e ângulos diferentes para jogar desde trás. A formação facilita a criação de triângulos, tornando-se propícia para um jogo baseado na posse de bola.

Quais são as desvantagens de jogar com um 4-2-3-1?

O único atacante pode ficar isolado. Está sempre em inferioridade numérica nas disputas com os zagueiros rivais, e o uso de uma dupla de volantes faz com que os outros demorem mais para avançar e apoiar os ataques.

Além disso, um meio-campo de três pode ficar em inferioridade ao enfrentar um rival com quatro peças no setor - um 4-4-2 em losango, por exemplo -. Se o meia ficar muito avançado em fase defensiva, uma linha de três no meio-campo rival pode significar vantagem numérica contra os dois volantes.

Os lados do campo podem ficar vulneráveis às inversões de jogo durante os contra-ataques se os dois laterais tiverem avançado. Um dos volantes pode sair para cobrir um lateral avançado de um lado; no entanto, quando ocorre a inversão para o outro lado, o outro volante fica sozinho e a ação do adversário pode encontrar uma marcação fragilizada no setor.